Voltando ao passado, compreendendo o presente

Dizem alguns que, para entender o presente, precisamos voltar ao passado. Isto é particularmente verdade em relação à História da Humanidade. Eu, contudo, iria mais longe; e diria: A pessoa que vive o presente sem ter conhecido as suas origens ou que ignora o seu passado, perde a sua Identidade.

Há muitos cristãos, protestantes, ortodoxos ou católicos, que não conhecem a sua história.

Embora, em certos aspectos, a História seja relativa e subjetiva, (dependendo do ponto de vista) acho interessante refletirmos sobre ela, a nossa História. E como parte do esforço em divulgar, analisar e refletir sobre uma parte da nossa História, disponibilizo um artigo interessante, fixado ao final da Bíblia de Estudo Apologética, do ICP – Instituto Cristão de Pesquisa. Apesar de não pretender ser exaustivo, o texto, é interessante e uma base para uma maior pesquisa. O texto mostra que os diversos grupos que se propõem a estudar, pesquisar um determinado fato passado, são tendenciosos ao seu ponto de vista, achando que, em tudo, estão corretos (ou pensam que são os UNICOS corretos). O Texto está completo.

A REFORMA PROTESTANTE e SUAS PRICIPAIS CAUSAS

Não há como negar a influencia da Reforma Protestante em nosso século. Qualquer livro de História que aborde o tema: “Baixa Idade Média e início da Idade Moderna”, tem, obrigatoriamente, a necessidade de discorrer sobre um dos principais marcos dessa época: a Reforma Protestante, liderada  pelo monge agostiniano Martinho Lutero. Embora seja extremamente velho (quase 500 anos), trata-se, porém, de um tema ainda vivo e em debate hoje em dia.

Mas, o que é a Reforma Protestante? Por que começou? Quais foram suas principais causas? Quem foram seus lideres? Não pretendemos ser prolixos quanto a analise deste assunto, até porque existem livros abalizados para tratá-lo de forma exaustiva. Desejamos apenas apresentar um resumo.

A interpretação que os historiadores dão a História influencia a explicação das causas da Reforma Protestante. A ênfase sobre um ou outro fator histórico depende da escola de interpretação. Vejamos o que nos informa o historiador Earle E. Cairns:

Os historiadores protestantes

Interpretam a Reforma como um movimento religioso que procurou redescobrir a pureza do cristianismo primitivo como descrito no Novo Testamento. Esta interpretação tende a ignorar os fatores econômicos, políticos e intelectuais que ajudaram a promover a Reforma.

Os historiadores católicos romanos

Interpretam a Reforma como uma heresia inspirada por Martinho Lutero por alguns interesses pessoais, entre eles, a sua vontade de casar. O protestantismo é visto como um cisma herético que destruiu a unidade teológica e eclesiástica da Igreja Medieval, se bem que o catolicismo nunca conseguiu a proeza de se manter uno! Os historiadores católicos se esquecem da verdadeira problemática que envolveu a Igreja Romana, porque, no período da Idade Media, muitíssimas barbaridades e anomalias foram vistas dentro da Igreja, gerando muitos protestos que não foram atendidos, o que resultaram finalmente na Reforma.

Os historiadores seculares

Dão mais atenção aos fatores secundários em sua ótica sobre a Reforma. O historiador Voltaire ilustra muito bem a interpretação racionalista. Para ele, a Reforma Protestante foi apenas a conseqüência de uma briga de monges da Saxônia e, na Inglaterra, a Reforma religiosa não deixou de ser apenas resultado de um caso de amor de Henrique VIII. É claro que tais conjecturas fazem parte da História. Mas resumir, de tão nobre movimento, pelos quais pessoas sacrificaram suas próprias vidas, que somente essas ocorrências seriam suficientes, é falta de vontade de analisar exegeticamente os fatos.

Os historiadores Marxistas

Determinam que a Reforma Protestante aconteceu devido a questões econômicas. Ela é vista como resultado da tentativa do papado romano de explorar economicamente a Alemanha para lucro próprio. Seria o resultado da oposição de nações/Estados a uma Igreja internacional. Para eles, a Reforma foi um simples episodio político de origem nacionalista.

Embora haja elementos de verdade em todas as interpretações, é preciso, porém, notar que suas ênfases, em geral, recaem sobre causas secundárias e, quase sempre, uma causa secundária particular. A Reforma não se explica de maneira tão simplória. Suas causas são múltiplas e complexas.

AS CAUSAS DA REFORMA

O fator político

Pode ser considerado como uma das causas indiretas e importantes para a eclosão da Reforma. As novas nações/Estados, centralizadas ao Noroeste da Europa, se opunham a noção de uma Igreja universal que reivindicasse jurisdição sobre o Estado nacional e seu governo. O ideal universal colidia com a consciência nacional emergente das classes desses novos Estados.

No caso da Inglaterra, o rompimento de Henrique VIII com a Igreja Romana aconteceu por causa do seu divórcio com sua primeira esposa, Catarina de Aragão. Com isso, estava lançada a semente para o nascimento da Igreja Anglicana.

O fator econômico

As terras da Igreja Romana na Europa ocidental eram cobiçadas pelos governantes nacionais, pela nobreza e pela classe média das nações/Estados. Os governantes lamentavam a perda do dinheiro enviado para o tesouro papal em Roma. Além, disso, o clero estava isento dos impostos dos Estados nacionais, sendo uma sanguessuga incessante!

Também é relevante, nesta questão econômica, comentarmos sobre a problemática das indulgencias. O abuso do sistema das indulgencias era um fator de pobreza, ainda mais na Alemanha, onde os muitos benefícios ao papado eram abusivos, fato que enfurecia Lutero.

O fator intelectual

Deve-se a postura crítica, adotada por homens de mentes lúcidas e secularizadas diante da vida religiosa dos seus dias. O humanismo da Renascença, especialmente na Itália, criou um espírito secular semelhante aquele que caracterizou a Grécia clássica. Obviamente, as mentes desembotadas do humanismo não podiam digerir os embustes do romanismo, dando espaço para que cristãos mais esclarecidos pudessem desatar o cristianismo das cadeias da ignorância.

O fator moral

Os estudiosos humanistas, que possuíam o Novo Testamento em grego, perceberam logo a discrepância entre a Igreja neotestamentária que viam na Bíblia e as praticas da Igreja Católica Romana. A corrupção atingira todos os escalões da hierarquia eclesiástica – prostituição, suborno, corrupção, assassinatos, cobranças de indulgencias, etc. Enfim, a conjuntura dos fatos mostrava o quanto a Igreja Romana estava em trevas. De todos os fatores que poderiam levar a Reforma Protestante, nenhum foi mais significativo do que o fato moral.

O ESTOPIM DA REFORMA

A faísca foi lançada em 1517, ocasião em que a campanha das indulgencias, em favor da basílica de São Pedro, em Roma, estava a todo vapor. Tetzel, um padre domiciano, pregava sobre as indulgencias com grande exibicionismo. “dizem que cada vez que cai a moeda na bolsa do frade, uma alma sai do purgatório”, asseverava ele.

Diante disso, Lutero resolveu protestar, fixando suas 95 teses na porta da Igreja em Wittenberg (Alemanha), condenando o uso das indulgencias. A resposta do papa Leão X veio na bula Exsurge Domine, ameaçando Lutero de excomunhão. Mas era tarde demais. As teses de Lutero já haviam sido distribuídas por toda a Alemanha. Lutero, então, foi chamado a comparecer a dieta de Worms, para se retratar. Mas respondeu que não poderia se retratar de nada do que disse. Foi na dieta de Spira, em 1529, que os cristãos reformistas. Pela primeira vez. Foram apelidados de “protestantes”, devido ao protesto que os príncipes alemães fizeram diante do autoritarismo do catolicismo.

Nesta época, os ideais da Reforma já estavam estourando em diversas partes, como, por exemplo, em Zurique, sob o comando de Zuinglio; na França, sob a liderança de Calvino, e nos países baixos.

Em todos esses países, houve perseguição aos reformadores e aos novos protestantes. A perseguição se tornou ainda mais intensa com o movimento Contra-Reforma, promovido pelo catolicismo. Era um método de represália. A reforma enfrentou cem anos de guerras religiosas dos reis católicos contra os protestantes. Mas saiu vitoriosa. Prosperou, e as igrejas protestantes foram fundadas em todas as partes do mundo.

Esse post foi publicado em Artigos e marcado , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Voltando ao passado, compreendendo o presente

  1. Pr. Guedes disse:

    Caro Pr. Alex,

    A Paz do Senhor!

    Parabéns por seu blog e pelos textos. Este, especificamente, é uma pérola!

    Deus continue abençoando a sua vida e dando0lhe Graça para continuar escrevendo textos sérios como este.

    Forte Abraço.
    No Amor de Cristo!

    Curtir

  2. Oi grandão,

    A paz

    Retornei das férias que, absolutamente, nunca gozei de tanto que trabalhei (ainda estou trabalhando).
    Estou construindo aqui pela Taquara. Estou saindo da Freguesia.
    Bela mensagem, instrutiva, esclarecedora, edificante – Lugar comum do Poder das Escrituras.
    Há pela ai, pela nossa blogosfera, uns tais protestantes reformados, teistas abertos, mequetrefes e metediços, emitindo pareceres “filosodômicos” sobre a homoafetividade e a família.
    Em meio a esta aberração, estes tais, ditos filósofos calvinistas estão tentando nos convencer de que o racional (a ciência) é a lógica para a explicação de milagres, sinais e mistérios de Deus, chegando mesmo a questionar a existência do Todo-Poderoso, Sua soberania, Seu poderio, Sua onisciência e Sua imutabilidade. Dizem, arrogando-se protestantes reformados, que a Igreja deve (tem a obrigação moral) de ajustar-se ao contexto social para não ser taxada de retrógada ou medieval. Por certo, nada entenderam sobre o que Voetius (calvinista) quis dizer com aquele conhecido aforismo “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est”. Aquele calvinista não quis dizer que a Igreja deveria sempre estar mudando, o que iria ao encontro do pensamente arminiano, quanto a sua soteriologia. Refletir sobre pontos até então imutáveis estava no contexto da reforma, mas a disposição era o retorno às Sagradas Escrituras, nas quais se fundamentaram a reforma.
    Estes “ditos” calvinistas estão deturpando inteiramente as Escrituras, criticando o que chamam de evangelicalismo paranóico.
    Bom que todos se ativessem à leitura desta sua postagem. Como no passado a Igreja está em trevas. À luz do que fazem os mega-pastores com sua interminável “pedição” de dinheiro; dos escândalos envolvendo lideres eclesiásticos e de todas as propaladas bizarrices gospel.
    Será que estamos próximos a uma reforma em que o fator moral (vergonha na cara), mais uma vez, estaria sendo o fator mais significativo para que chegássemos a ela?
    Sei não. Só sei que devo pedir a Deus que prossiga abençoando este seu espaço..
    Seu conservo em Cristo

    Curtir

Participe deixando um comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s