O Espírito da LEI

O ESPÍRITO DA LEI

Por Pr Alex Oliveira

Avessos, ao que nos diz o estudo do Direito: “o espírito da lei”, querendo, assim, nos fazer atentar para o que a LEI quer dizer; ao contrário do que pode parecer, ou ocultar, a “letra”; Alguns se empenham em seguir, apenas, “a letra da Lei”.

É sobre isto que o apóstolo Paulo assevera, quando diz: “a letra mata” (2 Coríntios 3.6,7). Ele se refere aos que fazem uso equivocado da “letra da lei”, pois esta (lei de Deus, a Torá), como outras, não legislam pormenorizadamente sobre alguns assuntos, deixando omissões, lacunas e diferentes possibilidades de interpretação. Por isso, no mundo secular, surgem várias “escolas” e tratados que visam interpretar a Letra da Lei. Mas, de igual forma, surgiram várias escolas de interpretação da Lei de Deus, das quais surgiu a “tradição oral” que fora criticada duramente pelo Senhor Jesus (Sobre ela, falaremos em outra oportunidade). Interpretações de interpretações, e mais interpretações!! Destas, surgiram muitas “DISTORÇÕES”. Esqueceram-se, e, esquecemos, muitas vezes, Deuteronômio 29.29. Esquecemos que há questões que, simplesmente, não compete a nós saber. (Atos 1.7)

 Este fato é muito interessante, pois, sempre houve os curiosos que gostam de ir além do que é permitido, não só, nas coisas que não nos compete saber, mas, também, indo além da interpretação razoável, ou seja, introduzindo no texto algo que não está nele. Isto é perigoso, primeiro, porque é uma desobediência velada a palavra; segundo, porque podemos (e seremos) enganados. Tendo em vista Atos 1.7, lembremos o que Jesus disse aos seus discípulos, quando estes quiseram saber “tempos e épocas” que não lhes competiam saber. As palavras de Jesus nos advertem a que sejamos prudentes em nossa preocupação (e interpretação) não só naquele contexto, mas, creio eu, em toda bíblia: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane…” (Mateus 24)

Ao contrário de muitos, o Mestre Jesus, captou e incentivou “o espírito da LEI”, combatendo, também, todo desvio dela. Para os apreciadores, apenas, da “Letra” (os fariseus e “doutores da lei”), os ensinos de Jesus eram “petulante de mais”. Pensavam: “Como pode este dizer estas coisas; donde vem esta sabedoria?”. Para eles, Jesus, queria ensinar, como se diz na gíria popular: “O padeiro a fazer pão; o médico a consultar”, etc.

Apesar de serem os mais estudiosos e “exímios interpretadores da lei” (isto é mais uma crítica do que um elogio), esquecem-se que, o apenas estudar e/ou o interpretar, não garantem, necessariamente, a ortodoxia ou o real significado, seja da Lei ou dos Escritos. É preciso muita cautela, boa dose de hermenêutica e estar atento as evidências, para não nos acharmos cauterizados, anestesiados ou até obstinados em nossas interpretações e visões. Jesus veio cumprir a Lei, não endossá-la para os gentios (Falo da lei cerimonial, dietética)! Agora, o que Jesus ensinou para a posteridade foi, na verdade, o verdadeiro entendimento, o “espírito da lei” moral e das escrituras sagradas. Exemplo disto é o “Velho novo mandamento” (Mateus 22.37-39/ Gálatas 5.14).

A interpretação das leis de Deus e de toda a bíblica, diferente da Lei secular, preza pela ortodoxia das escrituras completa. (Altamente recomendado é o artigo/palestra de Solano Portela: Os Três Aspectos da Lei de Deus vale à pena dar uma olhada).

A expressão – “O espírito da Lei” – alerta-nos para o cuidado que devemos ter ao interpretar, aplicar e ensinar essa “Lei”, pois, facilmente e constantemente podemos sair do “espírito da lei” e da sua abrangência real.

Um dos pilares dos reformadores antes e depois da Reforma Protestante, no século XVI, era, e ainda é, a possibilidade e necessidade de o povo ter e ler as escrituras sagradas em sua língua materna. Martinho Lutero, e muitos outros, se esforçaram para tal. Pensavam, corretamente, que o ser humano, auxiliado pelo professor dos professores – O Espírito Santo –, é capaz de interpretar e de captar o “espírito da Lei e das sagradas escrituras”. Criam na suficiência da bíblia para libertar e salvar o pecador. Ademais, o ensino religioso da época “era” pronto, tendencioso e, em certos aspectos, anti-bíblico (Qualquer semelhança com os dias atuais, não é mera coincidência).

Apesar disto, podemos nos questionar: “Mas, em decorrência da livre interpretação, não surgiram correntes de interpretações variadas, doutrinas diversas e divergentes, Seitas e heresias, idem?” Infelizmente tenho de responder, sim! Mas isto se deu, e se dá, julgo eu, por causa de dois fatores que listarei a baixo (pode ser que exista mais, mas listarei só estes):

1. A Ignorância e/ou o desprezo pelas regras Hermenêuticas, de interpretação. A importância da hermenêutica encontra-se na seguinte situação: Imagina que você diga algo a alguém, mas, essa pessoa interprete de forma equivocada suas palavras. E não só isto! Essa pessoa começa a espalhar o que você disse, de uma forma que você não disse. O resultado é a deturpação do que você quis dizer, e às vezes, as conseqüências são desesperadoras. É exatamente assim, creio eu, que Deus se sente quando alguém resolve ignorar a hermenêutica e, assim, deturpar suas palavras.

No que tange as Escrituras Sagradas, Deus disse o que disse; nós é que muitas vezes não alcançamos o que ele quis dizer. Para evitar esta situação precisamos observar um dos pilares das regras de interpretação, a Hermenêutica Bíblica que diz: “A Bíblia interpreta-se a si mesma”. Isto quer dizer que encontramos as respostas para todas as dificuldades de interpretação na própria Bíblia, se o buscarmos sem pré-conceitos ou pré-visões estabelecidas.  

Pior que a interpretação equivocada é a interpretação tendenciosa, equivocada e feita deliberadamente.

Segundo o curso de teologia do IMP – Instituto de Metodologia e Pesquisa, “a hermenêutica é a ciência que nos ensina as leis e os métodos para a interpretação das comunicações… Referimo-nos as regras que as pessoas têm usado durante milhares de anos para a compreensão e a transmissão de todas as formas da comunicação entre elas”.

Dentro do tema de interpretação bíblica, temos também a EXEGESE que significa “conduzir para fora… assim, a exegese é o processo de ir até o texto a fim de determinar o seu sentido e ‘trazer para fora’ a interpretação correta”. (IMP, Hermenêutica, p. 133). Em outras palavras, é o que este estudo se propõe: Alcançar o “Espírito da Lei”.

Além da exegese temos também, a EISEGESE que, podemos dizer, é o contrário da exegese: “a eisegese ocorre quando a pessoa aborda o texto com preconceito e torce a mensagem da bíblia, extraindo dela um sentido que o estudante deseja de antemão… Usualmente acontece quando o intérprete desconsidera qualquer regra de interpretação”. (IMP, Hermenêutica, p. 134).

2. ORGULHO! Uma vez criada, enfatizada e, pior, ensinada uma interpretação errada ou heresia, muitos não tem a capacidade de admitir o seu erro. Fico pensando se não há aqueles que o fizeram e fazem de propósito!! Vejamos o que diz Provérbios 16.18: “A soberba precede a ruína; a altivez de espírito precede a queda“. O orgulho, pois, nos impede de reconhecermos os nossos erros; e nos faz ir até as últimas consequencias com estes erros.

 

Todavia, não devemos deixar de incentivar a liberdade de consciência, interpretação; lógico, respeitada as regras da hermenêutica e uma exegese genuína; aliado, a um coração sincero e desejoso de conhecer as escrituras sagradas, e isto com muita oração a Deus. Outrossim, devemos ter HUMILDADE para aprendermos uns com os outros, a semelhança e exemplo do Bereanos (Atos 17.11).

E aqui vai um conselho: Estude sempre, com mais afinco, procurando “ver se as coisas são mesmo assim” (At 17.11), e não passivamente. É preocupante quando uma instituição toma o monopólio do ensino religioso e que se encontra acima da crítica, acima da bíblia, acima de qualquer questionamento. Uma lição, um estudo, um livro não podem estar acima da leitura devocional das Escrituras Sagradas. Uma interpretação ou uma paráfrase, não está, de maneira nenhuma, acima da Bíblia.

Por fim, lembre-se que o mais interessado em querer que você alcance o “espírito da Lei”, a exegese genuína, é quem fez essa lei. O mais interessado em querer que você conheça a verdade, foi quem a estabeleceu – Deus!  

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. (João 14:26) 

 

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6 respostas para O Espírito da LEI

  1. disse:

    Olá, gostei do artigo, muito bom e esclarecedor. Ah, estou levando seu banner. Bjs

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  2. disse:

    Alex estou levando e postando lá no blog. ok. Paz!

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  3. disse:

    E quando alguém usa de fazer exegese encima de chavão?? como pode? Chavão não esta na Bíblia. Paz.

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